sábado, 30 de outubro de 2010

tentavas singrar pelas teias
das águas, tua nau bebida
pelos lábios do mar, as areias
para trás, a dor descabida
do pranto-pássaro silencioso
de pardais nas árvores da terra
do teu parto, o mui glorioso
de ventavais canto de guerra
das aves deixadas inauditas;
e os cristais da tua roupa,
o orvalho indo, as gotas aflitas
não mais, secas pelo brilho
da tua pele colorida de lua
no cais, deixando o filho
tímido dessa natureza tua,
aliás, sem a centelha de vida
que inventava a luz das coisas,
e vás, o cabelo também onda
negra dos teus mares, casas
jamais teu corpo em outro amor
sob esse céu, escuro e pálido,
adeus nem dás, os olhos em cor
de flor do campo descampado,
que deixas, por tudo que hás.

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