acordar, levantar cedo,
engolir o sol efervescente dentro de um copo
de água
esperar com os pés dentro
da água
com as pernas afundando dentro da areia
por um barco que me busque
esperar no horizonte o desenho
de uma vela branca
que nunca chega
tornar a mim mesmo um cais
tornar meus olhos
um farol que é só desejo;
a noite me faz
pequenas sugestões
à beira do ouvido -
a noite produz duas velas brancas
nas minhas costas
e implora para que eu voe;
a noite sussurra que posso me elevar
até a lua
e tocá-la sem me afogar
e a que posso chegar até o horizonte
e então me dobrar
pelo seu precipício
em direção ao infinito;
depois acordo com a lua
na boca
como uma moeda de ferro;
meus olhos também são duas
moedas de ferro,
meus pés também são
duas moedas de ferro,
e mesmo dentro de um sonho
bom
estão fincados na areia
como duas pequenas
âncoras.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
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