não me sinto mais à vontade
para pegar no ar uma palavra
e aprisioná-la na gaiola
de um poema
capitão,
não estou mais certo
de que exista algo qual
um verso livre,
não estou mais certo
de que um verso possa
ser livre
capitão,
não sei se é possível
ler um verso sem me arrepender
de uma palavra,
sem querer liberá-las com o sabre
que deixaste a meu tio
de herança
e depois espantá-las pelo ar
com um tiro da tua pistola,
com quem ficou
capitão,
penso que chegaste aos cem anos
à tua maneira,
e que isto é o que faz todo homem:
vai até onde pode,
sem mais nem menos
à sua maneira,
que é única maneira que podemos
capitão,
se cometo o crime de aprisionar
estas palavras
e cantar engaioladas
como faziam os teus
canários