criança, num caminho de areia
a uma praia secreta
(a praia que se esconde
detrás das árvores
é uma praia que faz segredo
que disfarça sua voz de mar)
que se abre horizontal
(para que em seus braços
caibam a água grossa do mar,
seus segredos sussurrados)
após a finura vertical
do caminho
a geometria do vento
na areia fina
(como uma ampulheta
que também é um livro)
escreve meu destino
com a letra concreta do tempo
e enquanto eu lavo o meu
peito, virgem de amor,
ele já é o leito do nome teu
para sonhares com a boca de porcelana
os dentes na pia
com a garça de vidro
com o teu poeta
que criança, mergulhando
no mar secreto
da praia secreta,
não leu na areia
os versos que escreveria
e agora tem que os descobrir
(letra à letra)
pelo teu corpo.
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
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