apalpo os contornos de uma
passo com os pés por cima
que dorme ao pé
da cama
passo um café e sirvo duas xícaras
uma para mim
uma para ela
leio um livro
em silêncio meus lábios ainda se mexem
mas este não leio com os meus olhos
e sim com os
outros
com uma meia de cada cor
caminho pela rua
deixando o espaço de um corpo
entre eu e os prédios
aponto para uma flor que nasce
de uma árvore
e ninguém olha
para que a ausência
trabalhe no escritório
antes de dormir
arrumo dois travesseiros
mas uma única
coberta
sonho com um trem sem maquinista
que me atropela
e me atira
para o mar.