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domingo, 24 de outubro de 2010

balada para flores tardias (2)

deitas, o jeito translúcido
de esconder os olhos claros,
feitas as cerimônias, cedo
tateando entre ermos raros.

apenas minha língua compreende
o significado hermético da tua
pele. da caligrafia, s'embebede,
o corpo entregue, a carne nua.

noss'almas brincam d'entrelaçadas
nada sabidas da linha alvorecendo,
do horizonte subindo, a noite morrendo!

essas bocas despertencidas 'inda coladas
dizem: meu amor! onde eu começo e, tu,
onde termina? de quem é esse corpo nu?

meu amor... parecem anos!
não, esse não é meu nome!
nem esse meu sangue! nos
demos nó num fogo de fome!

e agora? o novo dia saciado,
a água caída, o fogo extinto
vou-me assim? deixo teu lado?
quem há de explicar o que sinto?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

balada para flores tardias (1)

quando nasce e ela me brota,
vira-me do avesso e me retráio,
como a flor encarando lenta
uma noite mais quente de maio.

as pétalas deitam sobre o corpo
e escondem meu interior aberto
(que a faca procura, e não a culpo
como a uma miragem no deserto).

deito cabeça no seu seio recluso,
e eu cada vez mais uma criança,
e cada vez mais em pranto luso,
espero paciente, e ela me cansa;

me diminuo, afino, desapareço!
quase não existo mais em mim.
ela olha, sorri e faz seu preço,
e finge se plantar em'eu jardim.

assim, quase morto, me entrego
e sangro linhas negras no papel.
já não a vejo tímida, estou cego?
sumiu e se escondeu do sol no céu.