sábado, 13 de novembro de 2010

café da manhã

as infâmias que te descem montanhas
seguem o fluente da cristalina nascente
dos segredos, nos teus lábios quedos,
e caem sutilmente, na calma crescente
dos lírios, teus olhos envoltos em cílios,
no estranho da tecelagem de um sonho,
feitos de dedo de'vaneios, rugas, medo
e um espinho, nascido só um pouquinho
mas afiado, como teu jeito insaciado
nos lençóis, transformando os girassóis
do sonho em fogo: pesadelo, o estrago
fisgando a voz, embotada de arrebóis,
que desperta, e bem no íntimo acerta
a incerteza, os teus olhos sobre a mesa
sobre os cafés, teu amor sob meus pés
e finaliza, como nosso mel que cristaliza.

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